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A Educação espírita para o terceiro milênio - Uma reflexão para o dia das crianças


A EDUCAÇÃO ESPÍRITA PARA O TERCEIRO MILÊNIO

UMA REFLEXÃO PARA O DIA DAS CRIANÇAS

Antenor Chinato Ribeiro

Recém iniciamos o terceiro milênio. Predições múltiplas pairam sobre essa nova era. A fantasia ainda toma conta dos nossos pensamentos e as nossas atitudes continuam, de certa forma, irresponsáveis, pois que destituídas de uma base sólida de moralidade. O apego à matéria ainda é extraordinário. O modismo ditado pelos ÍDOLOS passageiros é o que vale. A violência se espraia como uma erva daninha. E ficamos a reclamar dos outros, das autoridades, aquilo que é nossa responsabilidade. Acostumamo-nos a transferir a responsabilidade pelos nossos erros, nossos fracassos, nossas omissões, a outrem.

Há um imenso vazio em nós!

Adoeço, mas a medicina não vê nenhum mal físico em mim.

Estou deprimido, mas nem a psicologia, nem a psiquiatria e nem a neurologia encontram solução para o meu mal.

Descubro, depois de tombos e tombos, que na Casa Espírita fazem palestras e dão passes que podem fazer-me melhorar.

Bato à porta da Casa Espírita e lá encontro algum alívio. Até acabo ficando por lá, participando ativamente das suas atividades, ou ouvindo palestra e tomando passe por meses, anos, a vida toda... No entanto, esqueço que se ter ido para um Centro Espírita me fez muito bem, e me faz muito bem, isso também deve servir para os meus filhos.

Por falar em meus filhos, quem são eles, a final?

Meus filhos são exatamente como eu, ESPÍRITOS EM EVOLUÇÃO, QUE RENASCERAM NA TERRA COM O OBJETIVO DE EVOLUIR, DESENVOLVER SEU POTENCIAL INTERIOR, CORRIGIR ERROS DO PASSADO, SUPERAR DEFEITOS E POUCO A POUCO, VIBRAR EM SINTONIA COM AS LEIS UNIVERSAIS.

A CRIANÇA DE HOJE É O ESPÍRITO ETERNO, FILHO DE DEUS, QUE VENCEU INÚMERAS ETAPAS EVOLUTIVAS ATRAVÉS DOS MILÊNIOS AFORA.

Essa mesma criança precisa compreender que é UM ESPÍRITO REENCARNADO, FILHO DE DEUS, que volveu ao mundo carnal para vencer mais uma etapa no seu processo evolutivo, na busca da perfeição. Precisa conhecer as Leis Divinas, como a Lei de Causa e Efeito que rege todos os nossos passos. Precisamos EDUCAR as nossas crianças dentro da MORAL cristã, como nos mostra o Espiritismo, porque, como adverte KARDEC em OBRAS PÓSTUMAS: “É pela educação, mais do que pela instrução, que se transformará a Humanidade”. Ou, então, no Livro dos Espíritos, quando na questão 917 observa: “A educação, se bem entendida, é a chave do progresso moral. (...)”

Os maiores avanços dentro da pedagogia surgiram logo após a Idade Média, quando pensadores como Rousseau, Pestalozzi, Piaget, Frobel, Steiner, e outros não menos notáveis, desenvolveram conceitos e métodos educacionais que até hoje são considerados atuais.

Apesar da diversidade de conceitos e métodos, uma coisa hoje resulta certa: A EDUCAÇÃO DO HOMEM DEVE SER A EDUCAÇÃO INTEGRAL. Aquela educação que não se preocupa apenas em lhe dar informações, mas que se preocupa em ver o homem como um Espírito eterno. Aquela educação que consegue ver que aquele ser que ali está posto há muito já existe, tem tendências boas e más e que é nessas tendências que a educação deve ser trabalhada.

É necessário que lembremos que ao reencarnamos trazemos toda a nossa bagagem do passado seja ela boa ou ruim, ou ambas ao mesmo tempo, e é sobre essa nossa bagagem que a nossa nova existência foi planejada. É a partir das conquistas que obtivemos até o momento do reencarne que se projeta o potencial de desenvolvimento para a nova reencarnação.

Assim, temos na criança, um Espírito que reencarnou com um programa de vida, elaborado no Mundo Espiritual, que prevê as necessidades básicas para a evolução do reencarnante.

É por isso que cada Espírito renasce no meio mais adequado para o seu desenvolvimento moral de acordo com o que foi traçado no Mundo Espiritual –, envolvendo, na decisão, o reencarnante e os seus futuros familiares.

“Qual o objetivo da encarnação dos Espíritos?

Deus lhes impõe a encarnação com o objetivo de fazê-los chegar à perfeição. Para alguns é uma expiação, para outros é uma missão. Todavia, para alcançarem essa perfeição, devem suportar todas as vicissitudes da existência corporal; nisto é que está a expiação (...)” (questão 132, do Livro dos Espíritos).

Ora, se o Espírito nasce no meio mais adequado para o seu progresso e se ele nasce em nosso meio, somos co-responsáveis pelo sucesso desse Espírito ou pelo seu fracasso, na nova vida.

É necessário, pois, que entendamos melhor esse processo de renascimento – reencarnação -, para que melhor possamos agir em relação a esse filho de Deus que foi colocado em nosso meio para ser ajudado – e para nos ajudar.

“Em que momento a alma se une ao corpo?

A união começa na concepção, mas não se completa senão no momento do nascimento. Desde o momento da concepção, o Espírito designado para habitar tal corpo, a ele se liga por um laço fluídico que vai se apertando, cada vez mais, até que a criança nasça; o grito que se escapa, então da criança, anuncia que ela se encontra entre os vivos e servidores de Deus” (Livro dos Espíritos, na questão 344).

“Desde o berço, a criança manifesta instintos bons ou maus que traz de sua existência anterior; é a estudá-los que é preciso se aplicar; todos os males têm seu princípio no egoísmo e no orgulho; espreitai, pois, os menores sinais que revelem os germes desses vícios, e empenhai-vos em combatê-los, sem esperar que lancem raízes profundas (...)” (Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XIV.9 e questão 352 de o Livro dos Espíritos).

O Evangelho Segundo o Espiritismo também nos mostra que “A partir do nascimento, suas idéias retomam gradualmente impulso, à medida que se desenvolvem os órgãos; de onde se pode dizer que, durante os primeiros anos, o Espírito é verdadeiramente criança, porque as idéias que formam o fundo do seu caráter estão ainda adormecidas. Durante o tempo em que seus instintos dormitam, ele é mais flexível e, por isso mesmo, mais acessível às impressões que podem modificar sua natureza e fazê-lo progredir, o que torna mais fácil a tarefa imposta aos pais” (Cap. VIII.4).

No Livro dos Espíritos está assente que “Quando ele é criança, é natural que os órgãos da inteligência, não estando desenvolvidos, não podem dar-lhe a intuição de um adulto. Ele tem, com efeito, a inteligência muito limitada enquanto a idade faz amadurecer sua razão. A perturbação que acompanha a reencarnação não cessa subitamente no momento de nascer; ela não se dissipa senão gradualmente com o desenvolvimento dos órgãos” (questão 380).

Sendo o objetivo do Espírito, ao reencarnar, aperfeiçoar-se, é a fase infantil a mais adequada para a ação educativa do mesmo. Tanto é que a Espiritualidade adverte, na questão 383 de o Livro dos Espíritos, que “O Espírito se encarnando para se aperfeiçoar, é mais acessível, durante esse período, às impressões que recebe e que podem ajudar o seu adiantamento, para o qual devem contribuir aqueles que estão encarregados da sua educação”.

A infância representa, pois, uma benção ao Espírito reencarnante e uma oportunidade valiosa de transformação interior, que lhe faculta Deus. O despertar gradual da consciência do Espírito, quando na infância, é também uma sagrada oportunidade que os pais têm de acompanhar o seu desenvolvimento, oferecendo-lhe estímulos necessários para despertar os bons sentimentos adormecidos e também para corrigir impulsos mal direcionados.

Algumas crianças manifestam desde cedo aptidões para a música, para a dança, para a pintura, para o desenho, para a matemática, e outras áreas. A sabedoria dos pais e demais educadores estará em aproveitar essas potencialidades para direcioná-las à evolução moral.

Não foi por acaso que Pestalozzi, que foi mestre de Kardec – quando ainda na pré-adolescência -, na Suíça, recolhia crianças abandonadas, albergando-as no orfanato que dirigia, dedicando-lhes uma educação baseada na fé e no amor.

“Os efeitos da lei de amor são o aperfeiçoamento moral da raça humana e a felicidade durante a vida terrestre. Os mais rebeldes e os mais viciosos deverão se reformar quando virem os benefícios produzidos por esta prática: NÃO FAÇAIS AOS OUTROS O QUE NÃO QUERERÍEIS QUE VOS FOSSE FEITO, MAS FAZEI-LHES, AO CONTRÁRIO, TODO O BEM QUE ESTÁ EM VOSSO PODER FAZER-LHES” (Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XI.9).

É inquestionável que nenhum de nós gostaria de, em tendo retornado à vida carnal entre pessoas conhecedoras da Doutrina Espírita, não ter a oportunidade de conhecê-la e de em face disso, redirecionar as nossas tendências viciosas ou aperfeiçoar as tendências boas. Assim, façamos às nossas crianças aquilo que gostaríamos que nos fosse feito se nós as crianças fossemos.

Se assim não fizermos poderemos ver logo acontecer uma brutal mudança de comportamento naquela antes doce criança. É que, normalmente ao deixar a adolescência o Espírito retoma sua natureza e se mostra como ele era no passado – LE questão 385. Assim, se os pais e demais educadores não o prepararam corrigindo os maus impulsos da infância e não fomentaram as boas tendências, aqueles poderão romper com toda a sua força, levando o Espírito aos mesmos erros do passado.

Não custa lembrar o que o Mestre Jesus já nos recomendava há dois mil anos passados: “EU SOU O CAMINHO, A VERDADE E A VIDA. NINGUÉM VEM AO PAI SENÃO POR MIM”.

Estamos, sabemos disso, no limiar dos tempos, no início da transição de um planeta de expiação e de provas para um planeta de regeneração e, como sabemos, somos os trabalhadores da última hora. A transformação ocorrerá com ou sem a nossa participação. Se quisermos participar da colheita, façamos a semeadura. Se quisermos que o mundo encontre logo a paz, façamos nossa parte, educando os nossos filhos e possibilitando que a Casa Espírita tenha meios de ajudar-nos a isso, bem como de educar outras crianças que possamos alcançar. A responsabilidade é nossa, de cada um de nós.

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ALVES, Walter Oliveira. A Educação Do Espírito, IDE, 2003;

KARDEC, Allan. Livro dos Espíritos;

KARDEC, Allan. Evangelho Segundo o Espiritismo;

KARDEC, Allan. Obras Póstumas.